O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) comunica,
com imensa dor, o falecimento aos 83 anos de idade de Renato Rabelo, um dos
mais importantes dirigentes de sua história centenária, do qual foi presidente
de 2001 a 2015. Nos últimos três anos, Renato dedicou-se a cuidar da saúde, sem
deixar de contribuir com o PCdoB. No período mais recente, lutou de modo tenaz
contra a evolução de um câncer. O seu coração parou de bater na manhã deste
domingo, 15 de fevereiro de 2026.
Foram mais de sessenta
anos de militância revolucionária. Renato foi vice-presidente nacional da União
Nacional dos Estudantes (UNE), enfrentando a feroz repressão dos primeiros anos
da ditadura militar de 1964. Já era militante da Ação Popular (AP) e integrou o
núcleo dirigente que conduziu a integração daquela organização ao PCdoB, em
1973.
Soma, desde
então, mais de meio século como liderança destacada do núcleo nacional de
direção do PCdoB, personalidade respeitada do campo político democrático,
patriótico e popular e do conjunto da esquerda. Nesta longa jornada, teve
participação de proa nas lutas e confrontos travados pela nação e pela classe
trabalhadora.
Exilado na
França, na conjuntura da Chacina da Lapa, em 1976, quando dirigentes do PCdoB
foram assassinados, presos e torturados, retornou ao Brasil com a anistia de
1979. Nesse período, conviveu com João Amazonas, histórico ideólogo e
construtor do PCdoB, e outros dirigentes comunistas. Iniciou, então, a
trajetória de formulador teórico, organizador e dirigente do Partido.
Sua
respeitabilidade se firmou também no cenário internacional. Participou
ativamente de debates e elaborações, visitou organizações comunistas,
revolucionárias e patrióticas de vários países, e recebeu, no Brasil, diversas
lideranças, fortalecendo laços de amizade e cooperação, tendo como fio condutor
a luta anti-imperialista. Dedicou-se, em especial, ao fortalecimento das
relações do PCdoB com os países socialistas, notadamente, China, Vietnã e Cuba.
Sua maior obra
é o aporte de ideias e formulações ao acervo teórico, político e ideológico do
Partido, importantes contribuições teóricas e políticas que enriqueceram o seu
pensamento tático, estratégico e programático, como também a práxis de
sua edificação e atuação na arena da luta de classes. A isso se soma um elenco
de quadros comunistas em relação aos quais o papel de Renato foi destacado para
formá-los, seja na Escola Nacional João Amazonas, seja na estrutura do Partido,
seja nas frentes de atuação, notadamente no movimento estudantil.
Renato, destacou-se
na luta política – foi um dos articuladores, pelo PCdoB, junto com João
Amazonas, da Frente Brasil Popular (PT, PSB, PCdoB) que lançou, em 1989, a
primeira e marcante candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva para presidente da
República, jornada que seria vitoriosa com a eleição de Lula em 2002.
Já à frente do
PCdoB, sucedendo João Amazonas, Renato elaborou as diretrizes da participação
dos comunistas em governos de coalização no capitalismo, tendo em vista o
convite para participar, pela primeira vez, do Ministério do governo da
República.
Aquele cenário
que se abria representou um imenso desafio, tarefa que assumiu com a dedicação
de sempre, com sabedoria política, capacidade de dialogar e agregar, convicção
democrática e progressista. Foi um dos artífices das táticas políticas dos
governos Lula e Dilma Rousseff, qualidade reconhecida por lideranças das forças
políticas que compuseram as alianças amplas daquele período.
Na conclusão
de seu último mandato na presidência do Partido, quando propôs, em 2013, o nome
de Luciana Santos para sucedê-lo, diante da escalada golpista da direita
neoliberal saiu a campo para construir uma frente ampla democrática.
Em 1º de abril
de 2016, Renato assumiu a presidência da Fundação Maurício Grabois, na qual
liderou e participou de importantes iniciativas no estudo e enfrentamento dos
fenômenos que surgiram naquele conturbado período do país. Sempre com a prática
da amplitude e da agregação de amplas forças em torno da resistência
democrática, deixou também na Fundação preciosas contribuições teóricas e
programáticas. Em 2025, foi laureado presidente de honra da Fundação, em
enaltecimento às suas realizações.
O presidente
Lula, na apresentação da biografia de Renato, Vida, ideias e rumos, escreveu
que ele era um homem notável, “uma das figuras mais relevantes da história
política do Brasil”. “Um homem que dedicou sua vida à luta por justiça social,
igualdade e soberania nacional, princípios que são caros a todos nós que
acreditamos em um país mais inclusivo e democrático.”
A
ex-presidente Dilma Roussef afirmou, também nesse mesmo livro, que Renato era
“um baiano doce de alma revolucionária, que segue o melhor da tradição
comunista, combinando ação e pensamento, teoria e combate, comprometido com o
desenvolvimento nacional, a emancipação do povo brasileiro e a construção do
socialismo”.
Renato deixa
uma rica produção política, teórica e ideológica, um magnífico exemplo de vida
e de militância política, um acervo responsável pelo engrandecimento do PCdoB,
pela sua respeitabilidade e pela sua força como organização protagonista na
luta política nacional e internacional.
Nesse momento
de dor profunda, o PCdoB reafirma que seu legado fortalece a essência do Programa dos
comunistas, a luta por um Brasil soberano, democrático e socialista, para a
qual contribuiu enormemente.
Quanta
realização de uma vida profícua, que seguirá impulsionando a jornada
revolucionária e inspirando as novas gerações de comunistas!
Revigorar,
fortalecer o PCdoB com o legado de Renato Rabelo!
São Paulo, 15 de fevereiro de 2026
Nádia Campeão
– presidente em exercício do PCdoB
Luciana Santos
– presidente licenciada do PCdoB
Comissão
Executiva Nacional do PCdoB

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